Frankenstein: as faces do terror gótico

Numa noite chuvosa no ano de 1818, surgiu um romance com um dos personagens mais icônicos da cultura pop: Frankenstein . Ao longo do século XX e até agora no XXI, muitas são as referências em diversas mídias. Iremos conhecer algumas dessas adaptações especialmente para o cinema e a TV.

Paulo Bocca Nunes (professor de Língua Portuguesa e Literatura. Mestre em Letras, Cultura e Regionalidade. Especialista em Literatura e Cultura Portuguesa e Brasileira. Especialista em Cultura Indígena e Afro-brasileira).

INTRODUÇÃO

Desde a sua publicação em 1818, a obra de Mary Shelley (1797-1851) invade o imaginário e fomenta a cultura pop de inúmeras faces do seu personagem principal, Frankenstein. Na verdade, o nome pelo qual ficou conhecido é de seu criador na ficção: doutor Victor Frankenstein, um obcecado pela sua pesquisa em dar vida aos mortos. Na cultura pop, no entanto, o nome identifica a criação, ou a criatura, de Victor.

A obra pode ser considerada como uma das precursoras do gênero ficção científica e de terror. No entanto, também há inspirações no movimento gótico surgido entre o Romantismo no século XVIII e início do XIX. Certamente também teve influências das descobertas científicas de sua época como a eletricidade, além da química, da biologia e física.

Mary Shelley (1797-1851) tinha 19 anos quando escreveu Frankenstein. Foi no verão de 1816 quando ela e seu companheiro, Percy Busshe Shelley, conhecer a poeta Lord Byron. Naquele ano, o tempo chuvoso impossibilitava os passeios e, em um dos serões na mansão de Byron, ele sugeriu que todos escrevessem um conto de terror como forma de passatempo. Certa noite, depois de ouvir um debate que envolve filosofia e ciência, Mary passou a noite atormentada por pensamentos que envolviam o conteúdo que ouvira. De repente, ela viu que tinha uma ideia para escrever o seu conto. A partir daí começou a surgir uma obra que veio a ser incorporada à cultura pop do século XX e se estende até o nosso século. No entanto, Percy foi o grande incentivador para que Shelley trabalhasse o texto e o transformasse no romance que conhecemos hoje.

Não foi muito fácil para Shelley publicar seu texto. Uma pequena editora DE Londres aceitou fazer a publicação depois de ser rejeitado por duas editoras outras. A crítica da época não foi muito favorável, porém teve boa aceitação de público. Não demorou muito para que a história inspirasse várias adaptações nas mais diversas mídias. A primeira foi o teatro quatro anos após a publicação do livro. Depois baixado o cinema, o rádio, uma TV (filmes e desenhos animados), música e os quadrinhos. Não foram apenas adaptações que foram centradas no gênero de terror, mas também a comédia. Podemos adicionar a criação de inúmeros videojogos em que o personagem de Frankenstein está presente. Isso sem falar nas referências em outras obras nas diversas mídias.

SOBRE A OBRA

O romance inicia com as cartas do capitão Robert Walton para sua irmã. Ele comanda uma expedição náutica ao Polo Norte em determinado momento em que o navio está preso no gelo, ele e a tripulação avistam Victor Frankenstein em uma balsa. Ao ser recolhido, ele narra sua história que a reproduz nas cartas à irmã.

Victor conta sua história desde sua infância, filho de um aristocrata, passando pela adolescência como estudante autodidata e leitor de grandes mestres do conhecimento. Ao entrar para uma Universidade, ele se dedica em descobrir os mistérios da criação e a criação de um ser humano vivo a partir de um corpo morto.

Certo dia, ele consegue dar vida ao ser que construíra, mas fica enojado com o que vê. A criatura acaba sendo abandonada pelo seu próprio criador e começa a assimilar os sentimentos humanos ea compreensão de sua triste condição e, alimentado por uma grande revolta, passa a perseguir a Victor Frankenstein.

AS ADAPTAÇÕES DA OBRA

1910

Filme mudo produzido pelo estúdio de Thomas Edison. Levou três dias para ser filmado. A duração do filme é de pouco mais de 13 minutos. Inicialmente em preto e branco, mas foi restaurado e colorido artificialmente em 2016. De acordo com a sinopse do filme, a produção buscou eliminar as partes repulsivas da história original do livro para se concentrar nos aspectos místicos e psicológicos da história. O filme mostra o estudante jovem Edison se despedindo do pai e da namorada e indo para a faculdade. Há um corte para dois anos depois e ele já está terminando a sua pesquisa e dando vida a sua criatura. A crítica da época não gostou e disse que o filme poderia ser encantador para médicos legistas, agentes funerários, coveiros e guardas do necrotério, mas não poderia agradar ao público em geral.

A criatura surgiu de forma diferente do livro. O doutor Frankenstein misturou vários produtos químicos e os colocados em um tipo de caldeirão. Não se sabe se havia algum corpo lá dentro, mas aos poucos foi surgindo uma criatura. Para a época, os efeitos especiais foram interessantes, mesmo que não fossem impactantes para o público de hoje.

Filme em preto e branco disponível AQUIFilme colorido e restaurado disponível AQUI.

1931

Considerado a primeira adaptação sonora da obra. O filme teve o ator Boris Karloff interpretando uma criatura. Foi o ator quem deu uma forma que marcou e definiu a figura como o conhecemos hoje. A história é uma adaptação de uma peça teatral de 1920 que por sua vez é uma adaptação do livro de Mary Shelley.

O filme apresenta o Dr. Henry Frankenstein, um jovem determinado a provar a sua teoria de que é possível criar vida a partir dos mortos. Para isso, ele recolhe cadáveres para tirar partes e assim montar uma criatura para servir aos seus propósitos.

Certo dia, acompanhado de seu assistente Fritz, desenterra um cadáver para leva-lo ao laboratório que fica em um moinho abandonado e também onde estão os corpos de outros cadáveres. Para completar a sua obra, Henry pede ao seu assistente, Fritz, que vá buscar um cérebro no laboratório de uma faculdade. No entanto, ele traz o cérebro de um assassino sem que o doutor saiba.

Preocupados com a saúde de Henry, a sua noiva, o pai e um amigo da faculdade procuram um professor antigo para falar das experiências de Henry. Todos vão ao laboratório no instante em que a criação da vida vai acontecer. Frankenstein ergue uma criatura numa plataforma até além do teto e essa recebe uma descarga elétrica de vários relâmpagos, que ele chamou de “raio primordial”. A experiência dá certo e a criatura vive. Porém, começar a aparecer os impulsos assassinos do cérebro revivido e a começa a sua trajetória de assassinatos.

O final do filme mostra os habitantes do lugar revoltados e buscando justiça devido à série de crimes. O confronto entre o criador e a criatura tem o resultado trágico, mas muito diferente do livro.

Filme dividido em vários elementos disponíveis clicando AQUI.

Este filme gerou duas sequências: A noiva de Frankenstein (1935, no Youtube pode ser assistido AQUI em espanhol e com legendas em português) e O filho de Frankenstein (1939).

CONCLUINDO

O filme de 1910 traz muito da direção teatral pela forma de interpretação dos atores e com o uso de elementos de palco para causar efeitos os dramáticos. Em algumas cenas em que estavam a criatura, o doutor e a sua noiva, o uso de um espelho se transformou em um elemento que ampliava a carga dramática. Uma solução muito boa para compensar alguma forma a falta de som para os atores na época. O final do filme também foge bastante do livro, até pelo fato de condições técnicas para a época.

 

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