Uma simbologia da personagem épica em “A Odisseia”, de Homero

Após dez anos de guerra contra Troia, o grego Odisseu viu o momento de retornar à sua Ítaca. Mas, os deuses que surgem nos versos de A Odisseia, de Homero, guardam outro destino para o herói que idealizou o cavalo de madeira para conquistar a fortaleza troiana. Vamos conhecer essa história, os aspectos literários mais importantes e as suas adaptações para cinema e TV.

Paulo Bocca Nunes (professor de Língua Portuguesa e Literatura. Mestre em Letras, Cultura e Regionalidade. Especialista em Literatura e Cultura Portuguesa e Brasileira. Especialista em Cultura Indígena e Afro-brasileira).

INTRODUÇÃO

A construção de mitos sempre esteve presente nos povos antigos e sua importância na formação cultural desses, foi fundamental. Os mitos nasceram dos feitos heroicos de homens transformados em semideuses através da poesia emergente dos rituais religiosos primitivos.

A epopeia, poema extenso que narra as ações de um herói lendário ou histórico, surgindo com a aurora da civilização, sublimou o estado mais avançado da criação poética dos aedos, recitadores de poemas épicos, que, para onde quer que fossem, levavam o passado glorioso e guerreiro de um povo. Homero, o mais eminente dos aedos, deixou para as gerações futuras uma simbologia em cada personagem, quer fosse Aquiles ou Ulisses, dois dos maiores heróis no gênero épico, quer fossem as personagens principais ou secundárias dos acontecimentos narrados.

Se na Ilíada Homero cantou a bravura dos guerreiros aqueus, em A Odisseia, de uma parte fez saber os costumes e a cultura dos antigos; a forma de viver do povo grego; seus valores e suas crenças. A forma artística do poema é tão rica em detalhes e em linguagem tão elevada, que foram capazes de serem utilizados na educação dos jovens gregos séculos mais tarde.

Neste artigo veremos que os estudos semiológicos dos personagens de A Odisseia são vários, mas vamos nos ater àqueles que dizem respeito aos seus personagens principais, Odisseu, Penélope e Telêmaco. Antes será preciso discutir algumas coisas pertinentes à Odisseia e suas várias odisseias, os elementos constituintes e sua ideologia por trás deles.

Apesar das inúmeras adaptações e referências em diversas linguagens artísticas de A Odisseia, iremos destacar as diversas adaptações do poema de Homero especialmente para o cinema e TV. Faremos uma análise para verificarmos se houve fidelidade ao texto original ou quais foram as “licenças poéticas” que os adaptadores se permitiram fazer.

HOMERO: UM MISTÉRIO DE SÉCULOS

Nada se sabe sobre sua existência, nem se existiu de fato, onde nasceu, por onde perambulou para cantar seus poemas nem mesmo onde morreu. Enquanto os gregos antigos acreditavam em um indivíduo histórico, os estudiosos que se debruçaram sobre as suas obras são muito céticos quanto a esse assunto. Para alguns desses estudiosos, Homero se constitui não em um aedo ou bardo, mas sim em uma representação cultural detentora da memória e de todo o saber antigo e cultural do povo grego da Antiguidade.

Para os historiadores antigos, como é o caso de Heródoto, Homero viveu por volta de 850 a.C., mas outros já afirmam que ele viveu em época mais próxima da guerra de Troia. Também se conjectura que ele nasceu em Esmirna, na atual Turquia, ou em alguma ilha do mar Egeu.

As teorias sobre seus poemas épicos (A Ilíada e A Odisseia) se sustentam em três vertentes. A primeira diz que os dois poemas são de autoria de Homero; a segunda, que somente a Ilíada é composição sua; a terceira diz que as duas são de sua autoria, mas de “tamanhos” menores, ou seja, ao longo do tempo foram sendo acrescentadas outras partes tanto da guerra quanto do retorno de Odisseu aos poemas originais de Homero. Independente de qualquer uma dessas afirmações (ou mesmo as negações), o fato é que as duas obras compõem uma das fortes bases da cultura ocidental.

O POEMA ÉPICO

Em forma de poesia, trata-se de um gênero literário que possui três formas fundamentais: a epopeia, o poema e o poemeto. Cada uma delas tem sua grandeza e extensão definidas pela maturidade poética que o poeta alcança e pela concepção de mundo expressa por ele. A épica se constitui na primeira forma culta da civilização ocidental, mas para isso passa antes por um processo que pode levar gerações, décadas ou séculos.

As narrativas míticas e lendárias, que são criadas a partir de um evento ou acontecimento histórico, passam pela fase da transmissão oral e quando o povo passa a dominar a escrita e ter a sua língua e seus dialetos escritos, tudo passa a ser elaborado por um poeta que dá uma forma literária e, dessa forma, as consagra para a posteridade.

A poesia é uma forma de imitação, é inata ao homem e dividida em espécies, e em se tratando especificamente da epopeia, segundo o filósofo grego Aristóteles (384 – 322 a.C.) é a primeira das suas espécies.

A origem da poesia é de tradição oral entre os povos antigos e acompanhava rituais sagrados e de sacrifícios que depois passaram a configurar em hinos entoados aos deuses. Entre os gregos, onde originou a épica ocidental, eram compostos pelos aedos também chamados sagrados. Paralelos a esses, foram surgindo os aedos profanos, que cantavam sobre outras coisas, como os relativos ao amor, o que deu origem mais tarde à poesia lírica.

Influenciados por aqueles hinos sagrados, veio a surgir os cantos heroicos descrevendo as origens de famílias nobres e das tribos; suas principais ações; as fundações das cidades e suas guerras.

Na Odisseia podemos reconhecer alguns elementos da saga, pois aquela se refere aos acontecimentos que envolvem uma família. Enquanto Ulisses luta para voltar para casa, Telêmaco, seu filho, busca notícias de seu pai e Penélope, a esposa, resiste aos seus pretendentes. Porém, os personagens heroicos e míticos que surgem nos episódios, revelam-se como sendo arquétipos e elementos semiológicos de uma raça num avançado estágio de civilização.

Para a épica é imprescindível que haja uma relação com o divino. Todo o ato heroico não se justifica apenas por si mesmo. A influência e a intervenção de um deus, em favor do herói, é uma forma de caracterizar a fragilidade humana perante o universo inexplicável e imenso. A abóbada celeste e as profundezas do mar e da terra formam um grande invólucro que sufoca o Homem e o reduz a um estado tão pequeno que, para suportá-la, é preciso um deus a seu favor.

Ao ganhar as graças de um deus, o herói pode também mostrar a sua importância para o universo: ele detém um tipo de poder supremo, que somente os grandes heróis épicos possuem. Para ter esse favorecimento é necessário manter-se sempre vigilante de sua conduta para não cair em desdita ou desgraça. Como na peripécia de Ulisses ao caçoar de Polifemo após ter furado seu olho e fugido de sua caverna. Do alto do rochedo o gigante, filho de Poseidon grita:

Ouve-me, Posseidon Abalador da Terra, de cabelos azuis como o mar! Se sou realmente teu filho e és na verdade meu pai, faze com que Ulisses, o conquistador de Tróia, o filho de Laertes, que mora em Ítaca, jamais volte a sua terra. Se, contudo, for seu destino rever os amigos e regressar a sua alta casa, que chegue lá tarde e miserável, no navio de outro homem, que perca todos os seus companheiros e que encontre tribulações em casa.

Com essa maldição de Polifemo, estava preparada a trajetória que viria a cruzar o caminho de Ulisses e seus companheiros no retorno à Ítaca. A personagem épica não é infalível, mas de seu erro virão as consequências de seus atos e por eles deverá responder.

Quanto aos poetas, caberá a eles cantarem as peripécias do herói épico e os feitos para superar as dificuldades de forma a ser uma referência para as futuras gerações, pois a épica só pode se justificar dessa forma: a universalidade de tudo o que envolve o gênero humano.

A GÊNESE DA PERSONAGEM ÉPICA

Desde as mais remotas eras, o homem sempre buscou uma explicação para o mundo e qual seria a sua função nele. Ser a testemunha ocular dos eventos inexplicáveis causava temor e piedade de si mesmo ante a sua insignificância diante de um universo imensurável. Somente algo superior e maior poderia entender aquilo que não poderia interferir.

Como se poderia explicar a morte e o surgimento da vida, quando se via que ambas andavam lado a lado no mundo visível e material? Os fenômenos celestes e da natureza nunca anunciavam sua chegada, mas se manifestavam de forma imponente e imperiosa, como um ser supremo que manda e não pede; que exige e não oferece. Assim, surgiram os deuses, entidades dotadas de poderes que não são explicáveis num plano terrestre. Por serem muitos fenômenos, muitos eram os deuses, muitas eram as explicações para tantos mistérios.

A fúria do mundo assombrava o homem tão frágil. Era preciso estabelecer alguma relação que pudesse elevar súplicas a alguém ou a quem quer que fosse o causador que manifestasse aquele poder supremo e inacessível. A criação dos deuses foi a forma de estabelecer a quem o homem devia admiração e temor, da mesma forma que os sacerdotes foram aqueles que estabeleciam a mediação entre o homem e o divino.

O homem primitivo aprendia desde cedo a ser forte e a enfrentar as dificuldades com as forças máximas que sua capacidade podia dar. Aqueles que transpusessem esses limites recebiam a aura de filho de algum deus. Surgia assim o mito.

O mito nada mais era do que teofonia, a manifestação de um deus, ou deuses, em algum lugar. O mito passa a se constituir em linguagem, fazendo o homem ser e compreender o próprio homem. A experiência do homem como ser dotado de um poder de procriação, formando criaturas que cresciam e morriam, deveria servir também para os deuses. Um pensamento que segue uma linha lógica muito antes de existirem os filósofos. Criou-se uma teogonia (narração do nascimento dos deuses e a apresentação da sua genealogia) para explicar aquilo que não se podia enxergar, mas que pertencia a um mundo visível e que manifestava o seu poder. O mundo começava a fazer algum sentido para os homens de seu tempo.

Entretanto, o homem falhou ao criar os seus deuses segundo a sua semelhança. Se aquele é imperfeito, cheio de vícios e fraquezas, esses adquiriram as mesmas qualidades, com o agravante de serem falíveis e punitivos, dando com uma mão e retirando com a outra. As criaturas criadas para explicar o universo lutavam entre si tendo como causa o próprio homem. Se a criação de uma teogonia foi necessária para explicar o mundo, por outro lado o homem criou um problema para si mesmo. Ele precisava superar a si mesmo, enfrentando o mundo e as suas criaturas.

Aqui estava o motivo para nascer a verdadeira criatura divina: o herói épico. Ao criar uma teogonia, o próprio homem, pai dos deuses, também se torna criador de sua imortalidade ao fazer de homens ilustres, heróis épicos que vão levar os seus feitos aos quatro cantos do mundo.

Ulisses mostra toda a sua força de herói épico ao enfrentar o filho de Poseidon, os gigantes lestrigões, a bruxa Circe, a descida ao Hades sem ter morrido, os monstros Cila e Caribdes, e finalmente demonstrando sua força e sua persistência contra a fúria da tempestade que Poseidon lançou sobre seu barco e mesmo assim conseguiu chegar até a ilha dos feácios.

Com essas ações do herói épico, Ulisses demonstrou que era possível derrotar os deuses e outras criaturas, porém, ele não o conseguiria se não fosse a ajuda de Atena, a deusa que o apoia e o acompanha. No seu retorno, Ulisses se mostra definitivamente como um personagem épico notável e pronto a ocupar o seu lugar no panteão do gênero literário maior que é a épica.

A PERSONAGEM ÉPICA

Ao lermos A Odisseia, que tem como foco principal o retorno de Ulisses à Ítaca, encontramos vários acontecimentos entrelaçados formando um conjunto de odisseias:

  • Telêmaco, o filho de Ulisses, parte para Esparta e Pilos em busca de notícias de seu pai;
  • Menelau se disfarçando de foca para capturar Proteu e fazê-lo contar sobre Ulisses;
  • Ulisses, após emocionar-se ao ouvir o aedo Demôdocos, narra os acontecimentos que o trouxeram à corte de Alcinoo;
  • As peripécias de Penélope que cria dificuldades para os pretendentes que a cercam.

No caso do próprio Ulisses, seu destino e sua odisseia se constitui em não esquecer seu objetivo: retornar ao seu lar. Cada obstáculo que o herói de Tróia enfrenta, torna-se um perigo talvez mais perigoso que os próprios obstáculos: o risco de perder a memória ao comer do fruto do lótus; ao ouvir o canto das sereias; ao beber do elixir de Circe. Para ele, de que valeria tantos desafios vencidos e tantas experiências sofridas, vividas e aprendidas se houvesse esquecido tudo? Certamente, isso seria muito mais grave.

Durante a viagem de retorno, Ulisses fica na expectativa do que vai encontrar em Ítaca. Quando finalmente chega e se depara com inimigos que devassam seus bens e de sua família, simula ser outra pessoa, contando uma história de vida para Eumeus, o porqueiro, ao rival Antinous e a própria Penélope completamente indiferente das histórias que ele, Ulisses, viveu. Essa se trata de outra odisseia que nada nos garante que seja a verdadeira odisseia. Afinal, Ulisses foi o verdadeiro mistificador, pois foi ele quem criou o engodo do cavalo de madeira na guerra de Troia. Pensando assim, também podemos dizer que o relato ao rei dos feácios foi mentiroso.

Nesse ponto, ao investigar todas as fábulas contidas na Odisseia – além das aventuras de Ulisses, mais o caso do tecido de Penélope e a prova do arco e flecha, as discussões dos deuses, e a aventura de Menelau para capturar Proteu, o velho do mar, poderiam ser atribuídas às tradições de diferentes origens e transmitidas por diferentes aedos e depois serem registrados na Odisseia Homérica. Assim, o artifício de criar um mundo fantástico, com aventuras fabulares oriundas das tradições arcaicas, foi criado para justificar a necessidade de manter o herói longe de seu lar e de seus familiares por 20 anos.

O herói épico é um paradigma de virtudes aristocráticas e militares. Ulisses é tudo isso e mais ainda, pois suporta as dores e sofrimentos, fadiga e solidão causadas por situações que um mortal não exerce nenhum tipo de poder. A odisseia de Ulisses torna-se uma síntese do mundo real que vivemos e onde dominam necessidades e angústia, terror e dores do qual nós não podemos escapar.

O homem sempre precisou superar limites. Seus maiores feitos criaram heróis e mitos. Ainda hoje mantemos essa cultura, seja no esporte ou nas artes. A fragilidade humana é parâmetro para colocar alguns poucos escolhidos no podium ao lado dos deuses.

Com Homero, o homem ganhou força e intimidade com os deuses, ganhou status e poderes. Para isso, era necessário ser diferenciado dos outros homens. Não bastava a força física: era necessário ter uma alma preparada para o enfrentamento e a superação.

Ao longo de toda a epopeia, o personagem Ulisses é o símbolo da superação do homem grego. Sua história fora cantada pelos aedos profanos para servir de exemplo de determinação, coragem, fé e intimidade com os deuses. Ulisses havia sido escolhido por Atena para ser seu protegido na sua viagem de regresso ao lar. Seu caráter de grande chefe grego, honrado e cantado como dos mais iminentes ainda em A Ilíada, permitiu que essa escolha fosse lógica e justa.

Se a sociedade arcaica intuiu e viveu a dicotomia do sagrado e do profano, o mito se constitui em uma narrativa exemplar que conta algum evento ou fato de conhecimento geral com traços de sagrado e esteja localizado em eras há muito passadas. Os episódios de A Odisseia marcam cada passo do homem rumo ao desconhecido e ao inexplicável de forma inevitável. Os poetas foram melhores que os filósofos que surgiram muito depois da criação da epopeia. Ainda Miranda afirma que os poetas foram os primeiros a ordenarem a existência do homem e do mundo.

O herói épico se torna em uma necessidade psicológica de um grupo social bem definido, ou que busca a sua identidade primordial, e passa a ser uma necessidade ideológica para alcançar esse objetivo. Vivendo a sua história, Ulisses sabia o que o esperava: o mar e toda a sua fúria, desconhecido e perigoso, moradia de Poseidon, disposto a causar-lhe dificuldades. Mas, para ser herói, como primeira e primordial missão, Ulisses precisava vencer a si mesmo.

A odisseia não diz respeito apenas a Ulisses: seu filho Telêmaco, jovem e inexperiente, também precisa superar suas limitações. Sua mãe estava sendo assediada por pretendentes. Ninguém tinha informações sobre Ulisses, por onde andava ou se tinha morrido e em que lugar. Sem ter recebido a orientação de seu pai, Telêmaco precisou reunir forças e coragem para tomar a decisão de buscar respostas ou indicações do paradeiro de seu pai, único que poderia por fim à situação.

Assim como Ulisses, teve Telêmaco a ajuda da deusa Atena, que ao disfarçar-se de humana, dava as orientações ao jovem do que deveria fazer. Sabedor de sua condição de jovem, o que lhe colocava numa posição de inferioridade ante os mais antigos de Ítaca, Telêmaco mostrou a humildade que deve ter todo jovem.

Quando Telêmaco recebe Atena, disfarçada de Mentes, chefe dos Feácios, e o convida a entrar em sua casa, mostra seu lado cordial. Quando ele chega a Pilos para saber notícias de seu pai, Telêmaco preocupa-se com o fato de não conhecer os costumes corteses:

Como posso cumprimentá-lo, Mentor? Não tenho prática de pronunciar discursos corteses. Além disso, um jovem deve se mostrar tímido quando se dirige a um homem idoso.

Era costume sacrificar bois em homenagem aos deuses e era motivo de grande festa por parte de todos. Havia fartura de comida e vinho que era dividida igualmente. Aqueles que chegassem, mesmo estrangeiros, eram recebidos com hospitalidade e convidados a participar dos costumes que eram comuns ao povo grego. Ao chegar a Pilos, Telêmaco e Mentor foram recebidos por Peisístratos, filho de Nestor que se dirige primeiro a Mentor, por ser ele mais idoso:

Dirige, agora, uma prece ao senhor Poseidon, dono desta festa da qual, por acaso, participas. Depois de teres derramado o vinho e oferecido a prece, como de costume, passa o copo a teu amigo. Também ele, creio, participará de nossa prece aos imortais, pois todos os homens precisam dos deuses. (p. 29)

Podemos perceber que se o pai não esteve presente durante o crescimento do filho, isso não impedia que Telêmaco soubesse o que deveria fazer em situações informais. Havia a preocupação em fazer o melhor para estar em boas graças com os homens, garantindo a admiração e respeito, e com os deuses para evitar cair em desgraça.

LIÇÕES DO MUNDO D’A ODISSEIA

A releitura de clássicos irá sempre nos remeter a ideias, pensamentos ou ideologias ocultas ou que nos passaram despercebidos numa leitura anterior. O que nos impressiona mais é a relação que fazemos entre o mundo narrado e o mundo que vivemos. Mesmo que essa relação tenha sido feita por um leitor de cem anos atrás, certamente esse também teve o seu espanto.

A Odisseia é uma obra surpreendente e marcante que impressiona pela arte de um mundo fantástico, mas tão bem criado que se pode considerá-lo quase real.

O texto original é em forma de poema épico, mas guarda grande semelhança com o romance pela sua forma narrativa e pela sua complexidade de estrutura:

  1. O tempo abrange duas formas: a) o tempo cronológico com o retorno de Ulisses, os acontecimentos em Ítaca e a viagem de Telêmaco; b) o tempo das lembranças de Ulisses quando ele narra aos feácios.
  1. O espaço é amplo: todas as aventuras de Ulisses, a viagem de Telêmaco e Ítaca;
  1. O desenvolvimento de complicações paralelas e entrelaçadas num só nó: o desaparecimento de Ulisses e depois o seu retorno.

Independente de ter sido ou não Homero o seu autor, A Odisseia deixou aos poetas a referência do que é arte, e aos homens uma obra universal de amplo caráter humano e de uma idealização fora do comum.

Cordialidade e hospitalidade

As regras de cordialidade não poderiam ser esquecidas e deveriam ser respeitadas por todos. Pois aquele que um dia fosse o anfitrião, um dia poderia ser um suplicante que estivesse necessitado de ajuda e abrigo.

Quando Odisseu chegou ao palácio de Alcinoo, abraçou-se aos joelhos de Arete, esposa do rei. Após sentou ao lado da lareira e ali ficou em silêncio. Um homem idoso e nobre, Echeneo, “que conhecia todas as tradições dos velhos dias”, falou a Alcinoo:

Alcinoo, não é correto nem conveniente que um forasteiro se sente no chão, mas devemos todos esperar que fales primeiro. Vamos, toma-o pela mão, faze-o levantar-se e leva-o a um lugar de honra, manda os escudeiros misturar vinho e derramaremos nossas gotas a Zeus Tronante que está sempre ao lado de um suplicante para assegurar-lhe respeito. E que a matrona dê de comer ao forasteiro.

Dessa forma, Alcinoo pega Odisseu pela mão e o leva ao lugar onde estava sentado seu filho Laodamas. Trouxeram água para que Odisseu lavasse as mãos e lhe serviram comida e bebida.

A hospitalidade não era algo exclusivo dos nobres e ricos, pois os mendigos e suplicantes tinham a proteção de Zeus. Mesmo os pobres, com o pouco que possuíam, davam-lhes atenção. Como é caso de Eumaios, o porqueiro de Odisseu, que ao levar seu velho amo para dentro de sua humilde casa sem o reconhecer, oferece uma refeição simples:

Podes crer que não é meu costume rechaçar um estranho ainda que seja um maltrapilho. Zeus envia o forasteiro e o mendigo, nós, de boa vontade damos, não muito, mas tudo o que podemos.

Essa forma de tratar os suplicantes não dependia de como eles se comportavam ao anfitrião, mas de como causavam piedade. Após Odisseu contar uma história fictícia de onde viera até chegar ali, em Ítaca, na casa do porqueiro Eumaio, ele também afirma que Odisseu iria retornar. O porqueiro, sem reconhecer em seu hóspede o seu amo, o repreende por lhe dar esperanças vãs:

Agora que Zeus te trouxe a minha porta, não me acalentes com mentiras. Isso não fará apiedar-me de ti e tratar-te bem. Eu assim o faço porque temo o deus dos forasteiros e tenho pena de ti.

Todo homem quer ser lembrado pela sua hospitalidade para que também não recaia sobre ele o castigo dos deuses. Quando Odisseu afirmou que o amo de Eumaio retornaria, quis apostar com o porqueiro que, caso isso não ocorresse, ele mesmo poderia ser jogado do alto de um rochedo para servir de exemplo a outros, porém, o porqueiro não aceita.

Eu iria adquirir grande fama pela minha hospitalidade, no mundo, para todo o sempre. Primeiro, convidar-te e oferecer-te o que comer, depois matar-te, atirar-te do rochedo! Não me seria fácil fazer as pazes com Zeus.

No palácio de Menelau, depois de receber Atena em sonho e ouvir dela as instruções para partir, Telêmaco acorda Peisístratos para partir em seguida. Esse lembra que as regras de cortesia estabelecem que o anfitrião oferece presentes ao visitante antes de partir e se despede afetuosamente.

A cortesia de Menelau é comovente, pois ele oferece a Telêmaco uma cratera de prata com bordas de ouro que havia ganhado de Faidinos, rei de Sidon, quando da volta de Troia.

O mágico e maravilhoso

Odisseu já está no mar, depois de sair da ilha de Calipso, há 17 dias, até que avista a terra dos feácios. Porém, uma forte tempestade abala seu barco e na iminência de morrer no mar, Atena aparece em forma de gaivota, aconselha sobre o que deve fazer e dá a Odisseu um véu divino:

Tira a roupa e deixa a jangada vogar ao sabor das ondas. Entra no mar e nada, e poderás alcançar a terra dos feácios, já que está decretado que ali chegarás a salvo. Toma esse véu e enrola-o em teu peito; é divino e, enquanto estiveres com ele, não receies que te afogues ou sofra algum mal.

Quando Odisseu chegou à cidade do rei Alcinoo, encontrou uma menina que era Atena disfarçada, e lhe perguntou onde ficava o palácio do rei. A menina o instruiu de que a acompanhasse e não olhasse para os lados e nem falasse com outras pessoas, pois os habitantes não gostavam de estrangeiros. Aqui há outro elemento mágico:

Ninguém observou Odisseu enquanto ele atravessou a multidão, seguindo pelas ruas, pois Atena o tomara sob sua proteção e o cobrira com uma espessa nuvem graças ao seu poder divino.

Outro momento mágico na Odisseia ocorre quando Odisseu envia um grupo de reconhecimento até uma casa na Ilha de Ajaia. Lá vive Circe, uma deusa que, ao receber os homens de Odisseu, os convida a entrar e lhes oferece uma bebida fazendo com que eles se esqueçam de quem são:

Depois que eles engoliram tudo aquilo, Circe tocou neles com sua varinha de condão e sem demora os levou para chiqueiros, pois agora eles estavam com cabeça de porco, grunhiam e tinham cerdas, eram porcos em tudo, exceto no espírito, que continuava como dantes.

Quando Odisseu chega à Ítaca, no canto XIII, Atena o alerta para que não se faça reconhecer a ninguém. Então ela envelhece sua pele e deixa seu rosto enrugado como de um velho e vestido com andrajos. Ao encontrar-se com Telêmaco, depois desse ter retornado de Pilos, a deusa o transforma novamente no homem saudável e com trajes limpos.

Provocação

Os homens da Odisseia sabiam também provocar e ofender. No capítulo VIII, durante os jogos propostos por Alcinoo e que Odisseu está presente apenas como observador, é desafiado por Laodamas, filho do rei dos feácios. Odisseu responde que está ali apenas como suplicante e que deseja apenas voltar a sua casa. Porém, Nauborideus foi mais arrogante:

Muito bem, senhor, não te terei como homem que participe nos jogos, embora seja esse o costume, como sabes. Parece ser o comandante de uma tripulação de navio mercante, preocupado com a carga e a mercadoria e conseguindo o máximo de lucro que puderes, certamente não tens o aspecto de um homem que goste de exercícios.

A provocação levou Odisseu a tomar de um grande disco e arremessá-lo mais longe que qualquer feácio pudesse fazê-lo. Dispôs-se a qualquer prova desde que não fosse corrida, pois estava ainda muito fraco e que não fosse uma luta contra seu anfitrião, Laodomas.

Gratidão

Após os jogos dos feácios, Nausicaa encontra Odisseu e pede-lhe para lembrar-se dela, pois fora ela que o salvara. Odisseu mostra-lhe toda a sua gratidão:

Princesa Nausicaa, filha do rei do mar! Se Zeus Tronante conceder-me ver de novo minha casa e minha terra natal, podes estar certa de que me lembrarei de ti nas minhas preces, pois tu me deste a vida, querida jovem. (p 94)

A justiça

A justiça no mundo Homérico era algo a ser fiscalizado pelos deuses e aplicadas sanções de acordo com a falta. O homem da Odisseia acredita constantemente na justiça dos deuses que é implacável e severa. Sem saber que é Odisseu que está a sua frente, Eumaios fala: “Os deuses, bem aventurados, porém, não amam as ações insensatas, e sim honram a justiça e a inteireza”.

Os lamentos pelas tribulações

Em várias passagens há lamentos pela tribulação da vida humana e que sempre se faz lembrar. Cada homem que conta sua história sempre lembra que é um desventurado e que sua vida é cheia de dificuldades. Às vezes, sentem alegria em dividir as suas tristezas quando contam suas histórias para outros. Eumaio decide contar a sua história, a pedido de Odisseu que está disfarçado de mendigo.

…comeremos e beberemos e nos alegraremos com nossas histórias tristes, quando as pudermos trazer ao espírito. Mesmo nas tribulações há regozijo quando elas se passaram, se se trata de um homem que muito sofreu e muito viajou.

As provações e aflições do homem são explicadas a Anfinomo, quando este traz uma taça de vinho a Odisseu, disfarçado de mendigo.

De todas as criaturas que respiram e se movem sobre a Terra, nenhuma é mais fraca do que o homem. Julga que nenhum mal surgirá jamais contra ele, enquanto os deuses lhe derem energia e seus joelhos forrem ágeis, mas quando os deuses bem-aventurados lhe trazem o sofrimento, tem de suportar isso também, com paciência no coração, por menos disposição que tenha. Assim, o espírito do homem nesta terra depende de que o Pai dos deuses e do homem lhe impõe.

Texto escrito em dezembro de 2006.

O MUNDO HOMÉRICO NAS MÍDIAS ATUAIS

ULISSES (filme de 1954)

O filme inicia mostrando o navio de Ulisses em retorno à sua terra, Ítaca. Um letreiro sobe contando os antecedentes da história. Logo depois, passa para Ítaca, onde Penélope espera seu marido. Um aedo declama a passagem final da guerra com o episódio do cavalo de madeira e a queda de Troia. O restante do roteiro do filme segue o mais fiel possível a história clássica. Essa adaptação é uma das mais conhecidas e tem o ator Kirk Douglas interpretando Ulisses. O filme com legendas em português está disponível no Youtube e pode ser acessado clicando AQUI.

A Odisseia (The Odyssey – 1968)

Trata-se de uma minissérie em oito episódios transmitida pela RAI, televisão estatal italiana. Tem coprodução italiana, iuguslava, alemã e francesa. Na introdução de cada episódio há a narração de alguns versos do poema de Homero. Essa adaptação é considerada como a mais fiel ao texto original, algo que pode ser observado pelos títulos dos episódios: Telêmaco e Penélope (1º), Ulysses, Nausicaa e Calypso (2º), A queda de Tróia e a ilha dos Comedores de Lótus (3º), Polifemo e o dom de Éolo (4º), A ilha de Circe e a descida ao submundo (5º), As sereias, Scylla e Charybdis, a ilha do Sol e o retorno a Ítaca (6º), Ulisses mendigo na quadra e na véspera da competição final e A vitória de Ulisses e o reconhecimento de Penélope (8º). Os episódios estão disponíveis no Youtube em francês e sem legendas e podem ser assistidos AQUI (1º e 2º), AQUI (3º e 4º), AQUI (5º e 6º) e AQUI (7º e 8º)

ULISSES 31, A LENDA DO ESPAÇO (animação de 1981) Série franco-japonesa inspirada na mitologia grega de Odisseu, ou Ulisses. Tem 26 episódios e a história se passa no século 31. No século XXXI, Ulisses é o grande coordenador da paz solar. Na companhia de amigos e do seu filho Telémaco, ele deixa a base de Tróia a caminho da Terra, a bordo da nave Odisseia. Enquanto Ulisses sai para um planeta desconhecido, Telémaco é sequestrado para ser sacrificado por Ciclope. Ulisses e seus companheiros conseguem destruir o Ciclope, mas desencadeiam a ira de Poseidon e passam a ser perseguido por Zeus. Ulisses é então transportado para outro universo, o Olympus, e todos os seus amigos permanecem “congelados”, com exceção de Telémaco, Themis e o pequeno robô Nono. Para poder voltar à Terra, Ulisses terá de encontrar o Reino de Hades. O episódio nº 1, em inglês, está disponível e pode ser assistido clicando AQUI.

A ODISSEIA (filme de 1997)

Direção de Andrei Konchalovsky foi concebido como uma minissérie de dois capítulos com um total de 3 horas de duração. O filme inicia com o nascimento de Telêmaco, filho de Odisseu. Depois ele é chamado para lutar contra os troianos, mas antes de partir, Odisseu diz à Penélope, sua esposa, que irá voltar a qualquer custo. Após anos de luta, os gregos presenteiam os troianos com o lendário cavalo de madeira dentro do qual estavam escondidos alguns dos mais valentes guerreiros gregos, entre eles o próprio Odisseu. A história segue o mais fiel possível ao texto de Homero, ou seja, todos os eventos do retorno de Odisseu à Ítaca. Isso inclui deuses e criaturas míticas que fazem parte do poema. O filme está disponível no Youtube, com dublagem em português e pode ser assistido clicando AQUI.

ULISSES, O FILHO DOS DEUSES (animação de 1997)

Filme de animação que inicia com o final da guerra de Troia e o início do retorno de Ulisses. Os eventos que se desenvolvem seguem próximos da história narrada por Homero, porém apresentam algumas adaptações. O filme pode ser assistido no Youtube clicando AQUIHá outro desenho animado com uma versão um pouco diferente e está disponível clicando AQUI.

A ILHA DA NEBLINA (filme de 2008)

O filme inicia com Homero, muito avançado em idade, como narrador da história se preparando para registrar o verso que faltava na sua Odisseia. A história depois passa para Odisseu no navio e tendo o próprio Homero, agora jovem, anotando os eventos da viagem. No retorno para Ítaca, o barco de Ulisses é atacado por bestas aladas. Depois de muitas perdas, o navio naufraga na ilha da Neblina onde vive a Deusa do Submundo. O final da história é tão surpreendente quanto assustador. O filme não guarda muitos elementos da narrativa poética de Homero. O filme, com dublagem em português, está disponível clicando AQUI.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As adaptações mais importantes que encontramos têm alguns aspectos em comum: os principais eventos que são narrados no texto original. No entanto, a forma de contar se mostra um tanto diferente tanto de uma adaptação para outra como de todas elas para a própria obra literária. O épico tem uma série de fluxos temporais e de espaço que se mesclam em uma narrativa que, mesmo não sendo cronológica, mostra os acontecimentos desde a queda da cidadela de Troia até o retorno de Ulisses à Ítaca.

No filme de 1954, com o ator Kirk Douglas como o guerreiro Ulisses, trouxe a história em um fluxo cronológico desde a partida do personagem com seus guerreiros sobreviventes até Ítaca. Na tela sobe um texto que fala resumidamente os eventos anteriores da guerra e sobre Penélope. Em seguida passa para Ítaca e mostra Penélope sendo admoestada pelos pretendentes. Há mudanças na forma de contar a história. Os acontecimentos anteriores são mostrados de uma maneira diferente no filme. Não mostra o final da guerra e o cavalo de madeira. Há o encontro com o ciclope Polifemo. A permanência de Ulisses na ilha com Circe, a descida ao Hades e o encontro com os heróis mortos na guerra são diferentes do poema. A maneira como Ulisses conta sua história para o rei dos feácios também é diferente, mas não traz qualquer prejuízo à historia para aqueles que a conhecem. O final, no entanto, é o que mais se aproxima do poema épico de Homero. 

O filme de 1997 inicia com o nascimento de Telêmaco, filho de Ulisses. A seguir, ouvimos a voz de Ulisses que narra a sua história desde a visita de Agamênon para convocá-lo a partir com o exército de aqueus para Troia e resgatar Helena. Através de Ulisses, a história da guerra é contada de forma resumida, incluindo o evento do cavalo de madeira, a destruição de Troia e em seguida a partida de retorno para Ítaca. Toda essa sequência é mostrada de forma narrativa e em cenas rápidas.

Um aspecto importante do filme: mostra a arrogância de Ulisses desafiando os deuses, dizendo que ele conquistou Troia sem a ajuda dos deles. Na sequência, Ulisses chega a ilha em que vive o ciclope Polifemo. Depois segue para a ilha de Circe, a descida ao Hades e a terra dos feácios. Nesse último o reconhecimento de Odisseu é diferente e, no meu entender, um tanto fraco.

As sequências que mostram Penélope sendo pressionada pelos pretendentes para escolha um deles para ser seu marido não são muito frequentes, mas correspondem bastante com o texto épico. O final em que Odisseu encontra Penélope e os pretendentes traz uma sequência de ações muito próximas do poema épico.

Uma diferença que deve ser destacada entre esses dois filmes é a participação dos deuses. Enquanto no de 1954 dá destaque ao herói Odisseu, no de 1997 destaca um pouco mais os deuses, apesar de não tanto quanto no texto épico original. Essa diferença em nada prejudica as obras fílmicas.

As adaptações em animação buscam trazer elementos da obra de Homero, mas percebe-se que o objetivo é puramente agradar ao público infantil e infantojuvenil. Não há o aprofundamento da história com relação à sequência e fidelidade dos eventos narrados no poema. Até mesmo o final da história foi mudado, algo que somente para os adaptadores fez sentido. Quanto a Ulisses 31, a lenda do espaço trata-se apenas de um seriado que tem na história de Ulisses muitas referências e desloca temporalmente a narrativa mítica.

A Ilha da Neblina traz uma narrativa bastante diferente da obra de Homero. Apesar de o personagem principal ter o mesmo nome do personagem épico e ter muitas referências sobre a guerra de Troia, a história segue um rumo que não corresponde aos eventos principais. O final também é muito diferente e não mostra o retorno de Odisseu, sendo até muito surpreendente.

Quanto à minissérie de 1968 basta dizer que, apesar de ser em francês a disponibilidade no Youtube, percebe-se que, de fato, buscou-se ser o mais fiel à obra de Homero. Só esse fato já garante uma grandiosidade à adaptação para a TV.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CARVALHO, José Mesquita de. História da Literatura. Porto Alegre: Globo, 1940.

CRUZ, Estêvão. História Universal da Literatura. Porto Alegre: Globo, 1936. vol 1.

D´ONOFRIO, Salvatore. Teoria do texto. São Paulo: Ática, 2001. Vol. 1.

HOMERO. A Odisséia, em forma de narrativa. Tradução e adaptação de Fernando C. De Araújo Gomes. São Paulo: Ediouro, 2002.

MIRANDA, José Fernando. Estória Infantil em Sala de Aula. Porto Alegre: Sulina-La Salle, 1978.

MOISÉS, Massaud. A Criação Literária: Poesia. São Paulo: Cultrix, 1993.

ROMILY, Jacqueline de. Fundamentos de Literatura Grega. Rio de Janeiro: Zahar, 1984.